Texto de Marcio R. Castro
A unificação dos títulos brasileiros (que seria mais correto chamar de equiparação) deixou o mundo do futebol em polvorosa, mesmo antes de se tornar oficial. E não me refiro somente a torcedores, dirigentes e jogadores, mas principalmente a jornalistas.
Por todos os cantos, vejo análises de jornalistas renomados, que acompanho e admiro, cheias de reservas e desinformação. É preciso, então, esclarecer as dúvidas e ressalvas que vêm assombrando nossa imprensa.
Uma delas é que, futuramente, outros clubes poderiam solicitar a “unificação” dos títulos da Copa do Brasil, já que a competição seria hoje o que foi a Taça Brasil de 59 a 68. É o que afirma Alberto Helena Júnior, por exemplo.
A comparacão é um grande equívoco. A Taça Brasil, quando surgiu, era a única competição nacional do país. Aliás, ela foi criada justamente com o intuito de eleger o campeão brasileiro de futebol e, por consequência, de indicar o representante nacional na Libertadores da América.
A Copa do Brasil, ao aparecer, ocupou óbvia e imediatamente o espaço de segundo torneio nacional, já que, desde 1959, existia uma competição principal que valia o título de campeão nacional.
Portanto, Helena, qualquer movimento para conferir à Copa do Brasil (e à Copa dos Campeões, outra copa nacional disputada entre 2000 e 2002) o mesmo status da Taça Brasil, do Torneio Roberto Gomes Pedrosa e do Campeonato Brasileiro deve ser acompanhado por boas risadas.
Não são poucos, também, os que batem na tecla do número de jogos que se realizava para ganhar a Taça Brasil. É o caso dos jornalistas Juca Kfouri e Rodrigo Bueno, que apontam com objeção as meras 4 ou 5 partidas que Santos e Palmeiras precisaram para levar os troféus.
Isso se deve à fórmula de disputa, que previa que os campeões paulistas e cariocas entrassem na competição somente nas semifinais. Não era uma proteção. O que se levava em conta era que os campeonatos estaduais de São Paulo e Rio eram muito mais fortes e acirrados do que os outros (ainda o são hoje, mesmo que em escala bem menor), e por isso seus campeões ganhavam esse “privilégio”.
Explicado o sistema de classificação, não vejo jornalista nenhum desconsiderar os titulos mundiais da Copa Intercontinental, conquistados em um ou dois jogos apenas, nem os da atual Copa do Mundo de Clubes da FIFA, que também pode ser resolvida em duas partidas e na qual clubes europeus e sul-americanos entram numa fase mais adiante.
O paralelo é exato: na Taça Brasil, os estaduais serviam como “fase de classificação”, assim como as competições continentais são para o Mundial. Na Taça Brasil, os clubes vindos dos estaduais mais fortes e tradicionais entravam numa fase mais avançada; no Mundial, os times vindos dos campeonatos continentais mais fortes e tradicionais, também.
O Santos foi campeão sul-americano em 63 fazendo apenas quatro jogos e entrando numa fase mais avançada da Libertadores. O Independiente, também, ao entrar direto na semifinal de 65 e disputar só cinco jogos. Na época, o regulamento previa essa primazia aos atuais campeões. Alguém acha que essas conquistas devem ser desconsideradas? Ou devem ter um status diferente das Libertadores disputadas hoje?
Por isso, Juca e Rodrigo, é evidente que a quantidade de jogos disputados não deve ser levada em conta para eleger um campeão nacional, continental ou mundial. O que importa, mesmo, é se o torneio tem o significado que alega-se ter. Tanto a Taça Brasil quanto o Robertão, tinham.
Vi também o Celso Unzelte e o PVC se utilizarem de uma metáfora para contestar a equiparação. Segundo eles, não é preciso chamar Dom Pedro I de Presidente da República para reconhecer seu valor. Já o Sérgio Xavier, na mesma linha, argumenta que “é como pegar melancias e maracujás e dizer que é tudo laranja”. Do nada, de acordo com ele, “tudo virou Brasileirão”.
Não é nada disso. O termo unificação, que vem sendo usado, se refere à dimensão das conquistas, não a suas nomenclaturas. Ninguém está chamando Dom Pedro de presidente. Apenas afirma-se que ambos, presidente e imperador, são chefes de estado. O Fluminense, por exemplo, é três vezes campeão brasileiro, por ter conquistado um Robertão e dois Campeonatos Brasileiros. Melancia continua sendo melancia, laranja continua sendo laranja.
Outros tantos jornalistas, como Renato Maurício Prado e Roberto Assaf, apontam os anos em que a Taça Brasil e o Robertão foram concomitantes como uma discrepância inadmissível. Ainda mais que, em 67, o Palmeiras ganhou os dois torneios.
No futebol paulista, de 1926 a 1929 e em 1935 e 1936, mais de uma equipe foi campeã estadual, no mesmo ano, por conta de ligas paralelas. Em 73 também, dessa vez por lambança do juiz. No Rio, em 79, foram disputados dois estaduais, o que tornou o Flamengo bicampeão num único ano.
Em 2000, há apenas dez anos, tivemos dois campeões mundiais: o Boca levou a Copa Intercontinental e o Corinthians o Campeonato Mundial de Clubes.
Atualmente, na Argentina, Chile e Colômbia, dois campeões nacionais são consagrados por ano, com o Apertura e o Clausura. Aliás, o River em 97, o Colo-Colo em 2006 e 2007 e o Atlético Nacional em 2007, foram bicampeões numa única temporada.
Seja qual for o motivo (competições paralelas, regulamentos inusitados, mudanças políticas), fica claro que transformações que ocorrem no esporte ao longo do tempo já fizeram com que, no mesmo ano, campeões de mesma representatividade e significado fossem apontados. Não me parece que o Assaf e o Renato achem razoável desconsiderar os títulos mencionados acima.
No caso da Taça Brasil e do Robertão, houve um período de transição em que um campeonato foi se tornando mais relevante, enquanto outro começava a desaparecer. Semelhante aos dois mundiais de 2000 e aos estaduais paulistas das décadas de 20 e 30. Nos anos em que foram simultâneas, 67 e 68, ambas as competições devem ser reconhecidas, como se faz em todos os casos parecidos.
Para terminar, uma reflexão sobre o que escreve o jornalista Emerson Gonçalves: “não há porque desmerecer o passado tentando reescrevê-lo”.
Essa inversão do que de fato aconteceu é absolutamente espantosa. A História foi reescrita quando, a partir de 1971, as conquistas anteriores foram relegadas. A Taça Brasil, primeiramente, e o Robertão, na sequência, foram competições criadas e organizadas oficialmente, justamente com o propósito de eleger os campeões nacionais. Isso está fartamente documentado, em pilhas e mais pilhas de jornais e revistas da época, em rolos e mais rolos de negativos do Canal 100.
Não há canetada alguma, não há tapetão nenhum. A Taça Brasil e o Torneio Roberto Gomes Pedrosa foram vencidos em campo, brilhantemente, e davam aos ganhadores o título de campeão brasileiro de futebol. O que está sendo feito agora nada mais é do que a redenção da História, meus caros jornalistas. E isso precisa ser informado.


Pergunto: para qual agremiação torce o digníssimo autor do texto? Responda-me, apenas, e já me darei por satisfeito.
Abraço!
A CHORADEIRA DESTES CARAS,´PRINCIPALMENTE DO JUCA E DO RENATO M PRADO, É QUE OS SEUS RESPECTIVOS CLUBES,,,COTINTHIAS E FLAMENGO,,,NÃO GANHARAM P…NENHUMA , POIS SE TIVESSEM GANHO,,,COM CERTEZA O DISCURSO SERIA OUTRO..
PARABÉNS PELA ANÁLISE TORERO.
SANTOS SEMPRE SANTOS!!
Risadas eu dou com este texto. Argumentos fracos (e muitos sem justificativa – algo como “o meu é melhor, mas não sei o porquê”).
Adoram falar em anacronismo. Qualquer estudante de história sabe que essa unificação é um anacronismo. À época, valorizava-se mais os estaduais. Logo, é impossível comparar aqueles torneios a um Brasileirão, hoje o título mais importante do calendário.
A lógica permanece. Em 1968, a Taça Brasil – um torneio moribundo e cheio de desistências (e até W.O.) foi considerado nacional. O mesmo em 1967, quando o Robertão (organizado pelas federações do RJ e SP, com alguns convidados de fora) foi considerado nacional. Assim, vemos torneios frágeis sendo equiparados, mas o autor tenta desqualificar a equiparação com a Copa do Brasil. Ora, quanta falta de senso – apenas deve ser seguida a lógica espúria da CBF.
Se não concorda, lamento, parece-me puro clubismo.
Ou então passe a considerar o Uruguai Tetracampeão do mundo. Pois, àquele tempo, o torneio olímpico era considerado mundial e em 1930 os uruguaios de diziam Tricampeões. (Um argumento infantil diz que isso não pode ocorrer pois as olimpíadas existem até hoje. Ora, as olimpíadas de hoje nada tem a ver com aquelas dos anos 1920, que tinham os melhores jogadores e seleções sem restrições. Depois da 2ª Guerra, só participavam amadores – e as seleções comunistas ganharam tudo; mais tarde, houve limitações de idade, coisa que permanece até hoje. Então, as olimpíadas de hoje não são o que já foram).
Dizer que ambos os torneios tinham igual importância em 67/68 é risível. Havia desistências por problemas de calendário. Em 1971 foi anunciada a criação do 1º Campeonato Nacional de clubes e, se os torneios precursores fossem assim tão importantes, os clubes teriam argumentado naquele tempo.
Agora, 40 anos depois… sem dúvida, é tentar reescrever a história com anacronismos flagrantes. Se você não sabe interpretar, vá cursar História.
A camisa uruguaia é chamada de Celeste Olímpica exatamente porque as conquistas uruguaias nas Olimpíadas são valorizadas como títulos da Copa.
O autor do blog foi claro e coerente, especialmente no ponto em que ressalta que título nacional não é o mesmo que título do Brasileiro, mas algo equivalente. Equivalência não é sinônimo de igualdade…
Se a Taça Brasil de 68 foi um torneio esvaziado, o que dizer do distorcido campeonato brasileiro de 2005, ou da problemática Copa União de 87, ou do João Havelange de 2000, que pôs na reta final, como candidatos ao título máximo, vencedores das chaves equivalentes às atuais Séries B e C?
E os títulos de Interclubes disputados sob desistência do campeão europeu nos anos 70?
O prezado comentarista pareceu mais preocupado em destilar irritação que em argumentar. Adjetivos demais, desenvolvimento de ideias de menos…
o colunista usou e abusou de argumentos fortissimos e deu um banho de coerencia, imparcialidade e de historia, meu caro, negar isso é teimosia, coisa de torcedor frustado pelo seu time nao ter ganho nada justamente na era de ouro do futebol brasileiro, parabens ao santos, cruzeiro, bahia, palmeiras, fluminense e botafogo, verdadeiras maquinas de jogar bola, que nao houve semelhantes depois de 1971 até hoje, aquleas sim verdadeiros esquadroes de futebol, como titulos merecidamente reconhecidos pela cbf, e se mordam de inveja os outros torcedores….
Perfeito o comentario do Fábio MS.
Sou historiador e é boquiabero que assisto à tanta gente aparentemente bem instruída falar bobagem por mera paixão clubística.
Sugiro que os jovens torcedorezinhos pesquisem o conceito de “anacronismo”. Se o fizerem bem feito, a ficha cairá, sem dúvida.
É a imprensa de Gamba , morrendo de dor de cotovelo.
Br2005 , que foi o mais absurdo da história do futebol brasileiro , ninguem tira o mérito do timinho mediocre.
Copa do Brasil 2002 , o mesmo caso.
Então , senta e chora gambazada!!! É OCTAAAAA !!!!
E o texto mostra A VERDADE HISTÓRICA.
Parabens.